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Empaticamente falando

Empatia. A individualidade observada compreensivamente. Dizem-nos que a nossa liberdade vai até onde começa a do outro, isto é, não pondo ninguém em causa, está tudo bem. Eis que vem aqui implícito o conceito de decisão, sobre si, sobre o seu corpo, sobre a sua vida, sobre a sua condição e tudo o resto que não põe mais ninguém em causa que não o próprio. Parte dos leitores, nem se aperceberia da incongruência deste conceito se eu não o referisse, uma vez que vivemos nele e fazemos parte dele, e é este mesmo o grande problema do valor mais ideal do ser humano: ser do ser humano. A empatia advém do estado mais puro de cada um, da capacidade que se tem de perceber que aquilo que está a acontecer àquela pessoa tem um motivo e que não somos seres assim tão puritanos que impeça que isso nos possa acontecer também. Por exemplo: porque razão, se pensarmos bem, é mais fácil para uma jovem de 16 anos dar a notícia de que tem um cancro do que a de estar grávida? Fácil, o ser humano decora rapidamente ideias feitas, mas é muito lento a desenvolver um espírito critico. Desde cedo que se ensina a variante social do verbo "opinar", a qual passo a citar:

Eu opino Tu opinas Ele(a) opina Nós ficamos satisfeitos Vós ficais ofendidos Eles(as) opinam de volta
Esta dialética inconsciente é partilhada por todos nós e demonstrada em situações muito especificas: aquelas em que os nossos valores e opiniões pouco consolidadas são postas à prova, nomeadamente em momentos de confronto com ideias ou escolhas diferentes do habitual. Geram-se então ondas de intolerância que passam por cada pessoa da conjugação acima referida, as quais advêm do vasto leque de intransigências normativas do ser humano. Um longo caminho devia ser percorrido do "não gosto" ao "não aceito", no entanto parece que as vias rápidas chegaram a todo o lado. Encurtam-se cada vez mais estes caminhos e, a cada passo, aproxima-se mais o Eu do Outro e é aí que a empatia se perde: na transposição do que somos para o que outro é, de uma forma tão cruel que não permite sequer variantes do que consideramos correto. Cercamos, então, o outro do que temos para nós como opinião e não o deixamos sair, por muito que ele tente ou argumente, como queiram. Geramos seres empaticamente estragados e estragamos os que fogem desta dialéctica que, ao contrario do significado da palavra, não gera nenhum entendimento comum.

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