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Atipicamente correto

O típico português é agricultor, médico, farmacêutico, engenheiro, professor, gestor, mecânico, carteiro, politico, cantoneiro, jardineiro, músico, jornalista, enfermeiro... é o que ele quiser, mas nunca deixará de ser o português de Portugal. 
Um típico português pertence a uma raça que não nega, não esconde ou muito menos disfarça. É uma criatura menos rara do que deveria e possui um leque variadíssimo de capacidades, sendo uma delas perder a razão. 
Um bom filho deste Portugal tem mil opiniões, não concorda com nenhum dos políticos que não ajudou a que não fossem eleitos e sabe que tudo está mal. Só não sabe o porquê. Ou acha que sabe: diria já um deles que "são todos uns gatunos", no entanto nem se lembraria que possivelmente terá sido um daqueles que fez aumentar a percentagem de abstinências ou, quem sabe, votou neles. No entanto, um típico português atesta que tem razão quando foge aos impostos e apelida o estado de uns quantos infames nomes pelo défice aumentar. Um típico português vai a manifestações, até lá assa umas quantas febras na brasa como já se tem visto, faz barulho, canta, faz e acontece enquanto outros típicos portugueses (sendo alguma percentagem deles eleita por outros típicos portugueses) se regalam nas suas pensões vitalícias (as quais, permitam-me repetir, foram aprovadas por uns quantos típicos portugueses eleitos por uma considerável percentagem de outros típicos portugueses). Um português de Portugal já condenou o PS, já fez daquele Sócrates satanás, mas hoje... ah, hoje aplaude o nosso mais recente ministro que tudo devolve, aquela quase Madre Teresa que tudo dá, tudo restitui, tudo faz crescer (menos a economia). 
Eis que agora emerge da imensidão dos típicos portugueses uma ramificação desta raça que é mais eficaz: os taxistas. Salvaguardando todo aquele bom trabalhador (que eu acredito que ainda os haja), ergueu-se nestes últimos tempos a soberania das soberanias, aqueles que querem e podem tudo, aqueles que podem manifestar-se com agressão, que escapam à censura televisiva do mau vocabulário, que podem dizer que (e passo a citar um modesto típico português) "As leis são como as meninas virgens: são para ser violadas". Eis que os valentes de Portugal, que ainda alegam serem vitimas de violência policial, dizem-se no direito de violar uma lei (como se ela fosse uma mulher e como se uma mulher servisse para tais propósitos) enquanto, literalmente, lutam por mais direitos seus: ironia das ironias, direitos de igualdade nas condições de trabalho. Os quais lhes seriam mais que justos, porém não sei se muito necessários, dado que não consigo imaginar quem mais quererá viajar guiado por um tão ditador típico português de Portugal. 

http://felizardocartoon.blogspot.pt/2012_04_01_archive.html



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