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Crónicas da Cidade Grande I

Era tempo da cidade recolher, as ruas encheram-se do vazio das almas que por ela vagueavam. O rumo era sabido, mas ausente.
As mãos chegavam ao fim do dia vazias, ansiando por algo ou alguém que lhes desse algum calor, o calor que nem com mil incêndios lhes chegaria.
O coração era negro e iluminado pela luz da estação numa espera eterna.
Aos poucos, pequenas estrelas iam aparecendo aos olhos pesados que já não permitiam olhar para cima. Aquela face, que já o era há muitos anos, ia apaticamente observando rápidos vultos que sombreavam aqueles retângulos iluminados. Vultos tão frenéticos como haviam sidos todo o dia, todos os dias.
Estilhaçavam vidros no beco que dobrava a estação, mais umas quantas almas os pisavam com toda a força com que o mundo as atraía para si. Cada uma, pelo contrário, era leve e jovem, contudo aquela atração não as permitia voar. Permaneciam inertes as suas asas, presas a cadeados dourados. Aquele tilintar ia invadindo os ouvidos por onde o tempo já havia feito estrago e o rosto continuava como se todo aquele barulho de silencio se tratasse.
Passava um comboio atrás do outro e a espera não acabava. Parecia que todo aquele tempo era em vão. E era. Porque naquela noite, como em todas as outras, o seu tecto seriam as estrelas.




-ao senhor que todos os dias acorda e adormece com a estação em São Bento, aquele de quem uns quantos turistas fizeram de monumento e se regalaram com umas quantas fotografias. Aquele que também é gente. 

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